segunda-feira, 5 de maio de 2008
quarta-feira, 23 de abril de 2008
nós dois
Está chegando o momento
De irmos pro altar
Nós dois
Mas antes da cerimônia
Devemos pensar em depois
Terminam nossas aventuras
Chega de tanta procura
Nenhum de nós deve ter
Mais alguma ilusão
Devemos trocar idéias
E mudarmos de idéias
Nós dois
E se assim procedermos
Seremos felizes depois
Nada mais nos interessa
Sejamos indiferentes
Só nós dois, apenas dois,
Eternamente.
Composição: Cartola
De irmos pro altar
Nós dois
Mas antes da cerimônia
Devemos pensar em depois
Terminam nossas aventuras
Chega de tanta procura
Nenhum de nós deve ter
Mais alguma ilusão
Devemos trocar idéias
E mudarmos de idéias
Nós dois
E se assim procedermos
Seremos felizes depois
Nada mais nos interessa
Sejamos indiferentes
Só nós dois, apenas dois,
Eternamente.
Composição: Cartola
atribulação
Há quase 1 mês nenhum post.
Há quase 1 mês novas descobertas. Outras decisões, novos momentos, medos e felicidades.
Logo a inspiração volta, será que não?
Há quase 1 mês novas descobertas. Outras decisões, novos momentos, medos e felicidades.
Logo a inspiração volta, será que não?
segunda-feira, 24 de março de 2008
cimento
Ações de cimento molhado, que já não precisam de água vertendo para formar a massa.
Os líquidos acumulados de outras ocasiões parecem suficientes para criar uma outra, mais dura, realidade.
Sem comoções, poréns e mais ou menos.
Será definitivo?
Os líquidos acumulados de outras ocasiões parecem suficientes para criar uma outra, mais dura, realidade.
Sem comoções, poréns e mais ou menos.
Será definitivo?
quarta-feira, 12 de março de 2008
cansaço
Será que eu preciso pedir de joelhos e com vick vaporub, prá chorar, prá poder tirar umas merecidas férias?
Apelo público.
Apelo público.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
colar de contas
Hoje, lendo o Dipirona Sódica, resolvi entrar no link de um outro - novo - blog, que está na lista. Vale ler o texto do Colar de Contas sobre a intimidade de casa e botão.
pertencimento
Será a ele? Ester ser desconhecidamente meu?
Humano e sagrado, repleto de significados construídos.
Intimidades, beijos, carícias e palavras.
Olhares contempladores de uma realidade dupla, escolhida por cada um.
Alguns sonhos vividos e outros tantos a realizar,
apenas com a certeza do que é eterno enquanto dura.
Assim, abraçados de paixões e dúvidas, nos desbloqueamos.
Criamos uma outra vida nossa de eternidades
Um bem-estar constante escolhido entre palavras, silêncios, corpos suados e suspiros.
Humano e sagrado, repleto de significados construídos.
Intimidades, beijos, carícias e palavras.
Olhares contempladores de uma realidade dupla, escolhida por cada um.
Alguns sonhos vividos e outros tantos a realizar,
apenas com a certeza do que é eterno enquanto dura.
Assim, abraçados de paixões e dúvidas, nos desbloqueamos.
Criamos uma outra vida nossa de eternidades
Um bem-estar constante escolhido entre palavras, silêncios, corpos suados e suspiros.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
emanação
Onde ela está?
Faz algum tempo que partiu desse universo.
Foi-se embora para algum canto levando suas coisas. Deixou apenas alguns poucos objetos que, vez ou outra, nos remetem à seu contorno.
Brincos, um tênis velho, algumas sapatilhas, saias rodadas, colares e uma porção de fivelas coloridas. Livros, sua agenda da escola – sempre cheia de poesia – recortes de revistas com entrevistas dos seus, poucos, ídolos. Chico, Henfil, Paulinho da Viola, Maria Bethânia. Textos guardados em pastas escolares; aquelas da 7ª C.
Dentro de uma caixa, centenas de cartas, bilhetes e lembranças das amigas - aquelas que ela pensava, estariam para sempre em sua vida. Por onde será que andam?
No fundo de uma latinha a foto-montagem daquele grande amor. Uma lembrança que para ela, em outros tempos, foi muito dolorida. Imagino que hoje - se é que ela se lembra - deve render ao menos um sorriso nostálgico.
Hoje, quem sabe onde ela estará? Talvez mantenha-se intacta de essência. Talvez tenha decidido fugir de si mesma. Ou pode então estar vagando por algum caminho qualquer, tentando descobrir sua própria trilha.
Sentimos apenas saudades e a vontade de que ela volte logo, de algum modo.
Faz algum tempo que partiu desse universo.
Foi-se embora para algum canto levando suas coisas. Deixou apenas alguns poucos objetos que, vez ou outra, nos remetem à seu contorno.
Brincos, um tênis velho, algumas sapatilhas, saias rodadas, colares e uma porção de fivelas coloridas. Livros, sua agenda da escola – sempre cheia de poesia – recortes de revistas com entrevistas dos seus, poucos, ídolos. Chico, Henfil, Paulinho da Viola, Maria Bethânia. Textos guardados em pastas escolares; aquelas da 7ª C.
Dentro de uma caixa, centenas de cartas, bilhetes e lembranças das amigas - aquelas que ela pensava, estariam para sempre em sua vida. Por onde será que andam?
No fundo de uma latinha a foto-montagem daquele grande amor. Uma lembrança que para ela, em outros tempos, foi muito dolorida. Imagino que hoje - se é que ela se lembra - deve render ao menos um sorriso nostálgico.
Hoje, quem sabe onde ela estará? Talvez mantenha-se intacta de essência. Talvez tenha decidido fugir de si mesma. Ou pode então estar vagando por algum caminho qualquer, tentando descobrir sua própria trilha.
Sentimos apenas saudades e a vontade de que ela volte logo, de algum modo.
ser e estar
Chega de pensar, chorar, sofrer, se revoltar.
A hora é de executar
Aqueles sonhos imaginados no distante dos anos anteriores.
Encorajar-se e lançar mão de medos, suspeitas e sentidos.
Apenas fazer, para ser, acontecer e viver.
Hora de realizar e criar um novo hemisfério
Quebrando paradigmas incrustrados de frustações, expectativas e pressão.
Vendo e vivendo o mundo com outros olhos, mãos, bocas e pés.
Caminhando por texturas diferentes, (re) criadas daquelas que já se fizeram ultrapassadas.
Acelerar o andar e abrir os olhos, gerando um novo estar.
Estar bem, viver bem, pensar bem.
A hora é de executar
Aqueles sonhos imaginados no distante dos anos anteriores.
Encorajar-se e lançar mão de medos, suspeitas e sentidos.
Apenas fazer, para ser, acontecer e viver.
Hora de realizar e criar um novo hemisfério
Quebrando paradigmas incrustrados de frustações, expectativas e pressão.
Vendo e vivendo o mundo com outros olhos, mãos, bocas e pés.
Caminhando por texturas diferentes, (re) criadas daquelas que já se fizeram ultrapassadas.
Acelerar o andar e abrir os olhos, gerando um novo estar.
Estar bem, viver bem, pensar bem.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
evocação
Para abrir o ano com chave de ouro, um texto do Ivan Angelo. Uma das – poucas – boas coisas que a Veja pode nos oferecer.
EVOCAÇÃO
Onde está aquele menino? Evocação é mais do que memória, pouca coisa mais. Acrescenta à lembrança um sentimento de simpatia que transborda para o rosto; a atenção se ausenta, os olhos já não fixam o presente, os ouvidos se fecham. A pequena fuga para o passado faz brotar a pergunta: onde está? Muitas vezes é a nós mesmos que buscamos. Onde está, em que espelho da memória se fixou a imagem daquele menino magro, testando o físico em pose de halterofilista?
Onde está aquela menina que não o beijava, só a ele não beijava, mas que o olhava provocadora durante algum beijo?
Onde estão aqueles gibis, que ele guardava numa caixa debaixo da cama? Mandrake fazia um gesto hipnótico e o revólver do bandido virava uma flor, um adolescente gritava shazam e tornava-se o poderoso Capitão Marvel, Brucutu viajava no tempo para lá e para cá, Flash Gordon viajava por outros mundos – e o menino com eles.
E aquele livro, Uma História e Depois Outras..., com seu menino-herói, Pascoal-zinho, incorruptível, capaz de agüentar calado injustiças, intrigas, à espera de que a verdade prevalecesse – onde está? Na cabeça dos meninos do 1º grau, o pequeno herói convivia com Orfeu, Hércules ou Batman, num tempo em que os autores das histórias ainda não tinham importância, só contava a beleza dos feitos.
Onde está aquele time de futebol de botão? Ah, quantas vitórias, jogadas espetaculares... Em qual caixinha, em qual das casas onde ele morou ele teria ficado, em que mãos? E aqueles outros jogadores, os de verdade, heróis dos campos de futebol, que todos os meninos conheciam pelo nome, do goleiro ao ponta-esquerda, fiéis ao time —– onde estão?
Evocação não traz nada ruim, é um passeio por alguma coisa que acabou sem nos ter sido tirada. É diferente do sentimento de perda, que causa sofrimento; diferente da saudade, que traz tristeza. É uma conversa afetuosa com o que foi.
Aquela cidade perfumada por magnólias, por exemplo. Gostoso lembrar seu aroma no frescor da noite, e transportar-se até lá. Um ano bom que passou – não qualquer um, mas aquele. Um amorzinho bom. Umas comidas, uns lugares.
Onde estão as neves d’antanho, où sont les neiges d’antan, como perguntava há mais de 500 anos o poeta François Villon? Onde estão os poetas que nos diziam nossas verdades e os ficcionistas que inventavam nossas mentiras?
Onde está o pecado? Não existe mais, vale tudo?
Onde está aquele secreto hotelzinho na Praia de Iporanga, no caminho de Bertioga, a única construção que havia naquela baixada, só três quartos, sem telefone, sem luz elétrica, iluminada a lampião, na qual vivia o dono quase como um ermitão, e onde a única concessão era uma fantástica geladeira a gás?
E aquele cão, onde está, aquele divertido cão que gostava de ver a telenovela Pecado Capital, bastava ouvir a música-tema e ele se aboletava no sofá? Por falar nisso, era gostoso cantarolar a música da corujinha junto com as crianças ("Já é hora de dormir, não espere mamãe mandar"), dar um beijinho enroscado nelas e mandá-las para a cama. A televisão ajudava a pôr ordem no fim do dia.
Mais um ano se foi. Que terá deixado na vida pessoal de cada um, criança, adulto ou idoso, para ser evocado com um sorriso nos lábios numa dessas fugas da realidade que nos realimentam de otimismo?
Não ter mais a coisa não significa que ela faz falta, significa apenas que acabou. Um doce: ficou o prazer de tê-lo desfrutado, seu sabor permanece conosco. Como se alguém dissesse num fim de tarde em uma varanda: lembra-se? O cérebro passa o filme, mas não exclui a varanda e a tarde. Evocação é estar lá, sem sair daqui.
texto: Ivan Angelo
EVOCAÇÃO
Onde está aquele menino? Evocação é mais do que memória, pouca coisa mais. Acrescenta à lembrança um sentimento de simpatia que transborda para o rosto; a atenção se ausenta, os olhos já não fixam o presente, os ouvidos se fecham. A pequena fuga para o passado faz brotar a pergunta: onde está? Muitas vezes é a nós mesmos que buscamos. Onde está, em que espelho da memória se fixou a imagem daquele menino magro, testando o físico em pose de halterofilista?
Onde está aquela menina que não o beijava, só a ele não beijava, mas que o olhava provocadora durante algum beijo?
Onde estão aqueles gibis, que ele guardava numa caixa debaixo da cama? Mandrake fazia um gesto hipnótico e o revólver do bandido virava uma flor, um adolescente gritava shazam e tornava-se o poderoso Capitão Marvel, Brucutu viajava no tempo para lá e para cá, Flash Gordon viajava por outros mundos – e o menino com eles.
E aquele livro, Uma História e Depois Outras..., com seu menino-herói, Pascoal-zinho, incorruptível, capaz de agüentar calado injustiças, intrigas, à espera de que a verdade prevalecesse – onde está? Na cabeça dos meninos do 1º grau, o pequeno herói convivia com Orfeu, Hércules ou Batman, num tempo em que os autores das histórias ainda não tinham importância, só contava a beleza dos feitos.
Onde está aquele time de futebol de botão? Ah, quantas vitórias, jogadas espetaculares... Em qual caixinha, em qual das casas onde ele morou ele teria ficado, em que mãos? E aqueles outros jogadores, os de verdade, heróis dos campos de futebol, que todos os meninos conheciam pelo nome, do goleiro ao ponta-esquerda, fiéis ao time —– onde estão?
Evocação não traz nada ruim, é um passeio por alguma coisa que acabou sem nos ter sido tirada. É diferente do sentimento de perda, que causa sofrimento; diferente da saudade, que traz tristeza. É uma conversa afetuosa com o que foi.
Aquela cidade perfumada por magnólias, por exemplo. Gostoso lembrar seu aroma no frescor da noite, e transportar-se até lá. Um ano bom que passou – não qualquer um, mas aquele. Um amorzinho bom. Umas comidas, uns lugares.
Onde estão as neves d’antanho, où sont les neiges d’antan, como perguntava há mais de 500 anos o poeta François Villon? Onde estão os poetas que nos diziam nossas verdades e os ficcionistas que inventavam nossas mentiras?
Onde está o pecado? Não existe mais, vale tudo?
Onde está aquele secreto hotelzinho na Praia de Iporanga, no caminho de Bertioga, a única construção que havia naquela baixada, só três quartos, sem telefone, sem luz elétrica, iluminada a lampião, na qual vivia o dono quase como um ermitão, e onde a única concessão era uma fantástica geladeira a gás?
E aquele cão, onde está, aquele divertido cão que gostava de ver a telenovela Pecado Capital, bastava ouvir a música-tema e ele se aboletava no sofá? Por falar nisso, era gostoso cantarolar a música da corujinha junto com as crianças ("Já é hora de dormir, não espere mamãe mandar"), dar um beijinho enroscado nelas e mandá-las para a cama. A televisão ajudava a pôr ordem no fim do dia.
Mais um ano se foi. Que terá deixado na vida pessoal de cada um, criança, adulto ou idoso, para ser evocado com um sorriso nos lábios numa dessas fugas da realidade que nos realimentam de otimismo?
Não ter mais a coisa não significa que ela faz falta, significa apenas que acabou. Um doce: ficou o prazer de tê-lo desfrutado, seu sabor permanece conosco. Como se alguém dissesse num fim de tarde em uma varanda: lembra-se? O cérebro passa o filme, mas não exclui a varanda e a tarde. Evocação é estar lá, sem sair daqui.
texto: Ivan Angelo
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
cancioneiro

Aqui na orla da praia,
mudo e contente do mar,
Sem nada já que me atraia, nem nada que desejar,
Farei um sonho, terei meu dia, fecharei a vida,
E nunca terei agonia, pois dormirei de seguida.
A vida é como uma sombra que passa por sobre um rio
Ou como um passo na alfombra de um quarto que jaz vazio;
O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é;
A glória concede e nega; não tem verdades a fé.
Por isso na orla morena da praia calada e só,
Tenho a alma feita pequena, livre de mágoa e de dó;
Sonho sem quase já ser, perco sem nunca ter tido,
E comecei a morrer muito antes de ter vivido.
Dêem-me, onde aqui jazo, só uma brisa que passe,
Não quero nada do acaso, senão a brisa na face;
Dêem-me um vago amor de quanto nunca terei,
Não quero gozo nem dor, não quero vida nem lei.
Só, no silêncio cercado pelo som brusco do mar,
Quero dormir sossegado, sem nada que desejar,
Quero dormir na distância de um ser que nunca foi seu,
Tocado do ar sem fragrância da brisa de qualquer céu.
Fernando Pessoa
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
ladeira da preguiça
Essa ladeira, que ladeira é essa?
Essa é a ladeira da preguiça
Essa ladeira, que ladeira é essa?
Essa é a ladeira da preguiça
Preguiça que eu tive sempre De escrever para a família
E de mandar conta pra casa
Que esse mundo é uma maravilha
E pra saber se a menina
Já conta as estrelas e sabe a segunda cartilha
E pra saber se o menino
Já canta cantigas e já não bota mais a mão na baguilha
E pra falar do mundo falo uma besteira
Fomenteira é uma ilha
Onde se chega de barco, mãe
Que nem lá, na ilha do medo
Que nem lá, na ilha do frade
Que nem lá, na ilha de maré
Que nem lá, salina das margaridas
Essa ladeira, que ladeira é essa?
Essa é a ladeira da preguiça
Ela é de hoje
Ela é desde quando
Se amarrava cachorro com linguiça
Composição: Gilberto Gil
Essa é a ladeira da preguiça
Essa ladeira, que ladeira é essa?
Essa é a ladeira da preguiça
Preguiça que eu tive sempre De escrever para a família
E de mandar conta pra casa
Que esse mundo é uma maravilha
E pra saber se a menina
Já conta as estrelas e sabe a segunda cartilha
E pra saber se o menino
Já canta cantigas e já não bota mais a mão na baguilha
E pra falar do mundo falo uma besteira
Fomenteira é uma ilha
Onde se chega de barco, mãe
Que nem lá, na ilha do medo
Que nem lá, na ilha do frade
Que nem lá, na ilha de maré
Que nem lá, salina das margaridas
Essa ladeira, que ladeira é essa?
Essa é a ladeira da preguiça
Ela é de hoje
Ela é desde quando
Se amarrava cachorro com linguiça
Composição: Gilberto Gil
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
pequenas vinganças
- Por favor, não me liga mais. Ela fica incomodada.
- Incomodada? Ela sabe de alguma coisa?
- Então... mais ou menos.
- Como assim 'mais ou menos'? Você contou?
- Médio.
- Médio?! Você é louco?
- Ela insistiu que tínhamos alguma coisa e eu neguei. Neguei, juro, até quase a morte. Ela me apertou, chorou, xingou, disse que eu estava mentindo e eu continuei, firme e forte, negando veementemente que nunca tínhamos nos envolvido e finalmente ela acreditou.
- Ahn...
- Mas aí, um outro dia desses, ela viu uma mensagem sua na caderneta de recados - não dizia nada de mais - e surtou novamente. Falei que eu já tinha explicado, que nada tinha acontecido entre nós, que aquilo era fruto da imaginação dela. E ela novamente esperneeou, chorou, disse que eu estava mentindo, até que eu tomei a decisão.
- Hum...
- Disse a ela: 'Você quer saber a verdade? A verdade é que já fiquei com ela sim.'
- Você é louco. Certeza. Além de deixar a coitada morrendo de ciúmes ainda comprovou que é um puto de um mentiroso.
- É... fiz besteira.
- Fez e das grandes, mas enfim, problema de vocês.
- É, vou dar um jeito de resolver isso...
- Hahahaha. Justo quem. Eu? Provocando ciúmes em alguém? Depois de tantos anos... Confesso, fiquei surpresa. Eu, que sempre tive ciúmes de você.
E ela saiu. Levantou-se como uma rainha. Virou-se e sorriu olhando com o canto dos olhos e o sabor doce na boca pelo desconforto alheio.
- Incomodada? Ela sabe de alguma coisa?
- Então... mais ou menos.
- Como assim 'mais ou menos'? Você contou?
- Médio.
- Médio?! Você é louco?
- Ela insistiu que tínhamos alguma coisa e eu neguei. Neguei, juro, até quase a morte. Ela me apertou, chorou, xingou, disse que eu estava mentindo e eu continuei, firme e forte, negando veementemente que nunca tínhamos nos envolvido e finalmente ela acreditou.
- Ahn...
- Mas aí, um outro dia desses, ela viu uma mensagem sua na caderneta de recados - não dizia nada de mais - e surtou novamente. Falei que eu já tinha explicado, que nada tinha acontecido entre nós, que aquilo era fruto da imaginação dela. E ela novamente esperneeou, chorou, disse que eu estava mentindo, até que eu tomei a decisão.
- Hum...
- Disse a ela: 'Você quer saber a verdade? A verdade é que já fiquei com ela sim.'
- Você é louco. Certeza. Além de deixar a coitada morrendo de ciúmes ainda comprovou que é um puto de um mentiroso.
- É... fiz besteira.
- Fez e das grandes, mas enfim, problema de vocês.
- É, vou dar um jeito de resolver isso...
- Hahahaha. Justo quem. Eu? Provocando ciúmes em alguém? Depois de tantos anos... Confesso, fiquei surpresa. Eu, que sempre tive ciúmes de você.
E ela saiu. Levantou-se como uma rainha. Virou-se e sorriu olhando com o canto dos olhos e o sabor doce na boca pelo desconforto alheio.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
tempo, espaço e a cidade
15 minutos em 1 hora.
Raul já dizia na letra sobre ‘o dia em que a terra parou’. Em São Paulo o tempo parou. Ou melhor, estacionou. Não é mais possível prever quanto tempo leva para que alguém se locomova de um local a outro. A pontualidade está virando coisa para ‘inglês ver’.
Lembro de quando eu era criança e morávamos perto ao terminal da Barra Funda. O tempo era previsível. Meus avós, quando vinham do Paraná para cá ficavam aflitos com o tempo que iríamos levar de casa ao terminal. Queriam sair sempre uma hora antes, sendo que para chegar à rodoviária não se levava mais do que 10 minutos (incluindo o tempo de pôr as malas no carro). Oras, talvez eles previssem que em dezembro de 2007, mais de 10 anos depois, um trajeto que se cumpria em 10 minutos hoje se faz em 1 hora – quando não está alagado, porque aí não tem hora mesmo para chegar.
Trajetos que em geral acabam em 15 minutos podem ser agora cumpridos em mais de uma hora. Por outro lado, caminhos considerados verdadeiras viagens passaram a ser considerados rápidos, praticamente daqui-ali. Por exemplo: é mais rápido ir de São Paulo a Campinas (leva-se em torno de 1 hora) do que atravessar do Brooklin (zona sul de São Paulo) para a Casa Verde (zona Norte). Onde já se viu isso???
A noção de tempo do paulistano mudou e com isso, mudam as dimensões de espaço. Veja só: eu que me considero uma observadora da cidade me dei conta, pela primeira vez, depois de tantas horas paradas entre a zona leste e a zona norte , que essa cidade deve ser a metrópole em que há mais cabeleireiros (cheios) do mundo. São incontáveis os salões, institutos e casas de beleza para todos os bolsos e estilos que se espalham pela cidade.
Outra observação que tenho é: aqueles que moravam ao lado de grandes vias da cidade e abtes se escondiam do trânsito, perigoso, hoje se comportam como quem mora em bairros residenciais. As pessoas colocam cadeiraa na porta de casa para observar o movimento. Quando tiver oportunidade, passando pela avenida do Estado, observe que os senhores e senhoras que moram naquelas casinhas antigas sentam-se à porta de casa, com cerveja e jornal na mão – na hora do rush – para observar o ‘movimento’. Diferença básica de hoje para o passado? Hoje se observam motoboys sendo atropelados a cada esquina - a cada 15 minutos– e o trânsito antes rápido e perigoso, hoje não anda mais.
E assim, para os passageiros de ônibus, motoristas e motoboys da cidade os dias param. Pelo menos que aproveitem para descobrir uma São Paulo nova.
Raul já dizia na letra sobre ‘o dia em que a terra parou’. Em São Paulo o tempo parou. Ou melhor, estacionou. Não é mais possível prever quanto tempo leva para que alguém se locomova de um local a outro. A pontualidade está virando coisa para ‘inglês ver’.
Lembro de quando eu era criança e morávamos perto ao terminal da Barra Funda. O tempo era previsível. Meus avós, quando vinham do Paraná para cá ficavam aflitos com o tempo que iríamos levar de casa ao terminal. Queriam sair sempre uma hora antes, sendo que para chegar à rodoviária não se levava mais do que 10 minutos (incluindo o tempo de pôr as malas no carro). Oras, talvez eles previssem que em dezembro de 2007, mais de 10 anos depois, um trajeto que se cumpria em 10 minutos hoje se faz em 1 hora – quando não está alagado, porque aí não tem hora mesmo para chegar.
Trajetos que em geral acabam em 15 minutos podem ser agora cumpridos em mais de uma hora. Por outro lado, caminhos considerados verdadeiras viagens passaram a ser considerados rápidos, praticamente daqui-ali. Por exemplo: é mais rápido ir de São Paulo a Campinas (leva-se em torno de 1 hora) do que atravessar do Brooklin (zona sul de São Paulo) para a Casa Verde (zona Norte). Onde já se viu isso???
A noção de tempo do paulistano mudou e com isso, mudam as dimensões de espaço. Veja só: eu que me considero uma observadora da cidade me dei conta, pela primeira vez, depois de tantas horas paradas entre a zona leste e a zona norte , que essa cidade deve ser a metrópole em que há mais cabeleireiros (cheios) do mundo. São incontáveis os salões, institutos e casas de beleza para todos os bolsos e estilos que se espalham pela cidade.
Outra observação que tenho é: aqueles que moravam ao lado de grandes vias da cidade e abtes se escondiam do trânsito, perigoso, hoje se comportam como quem mora em bairros residenciais. As pessoas colocam cadeiraa na porta de casa para observar o movimento. Quando tiver oportunidade, passando pela avenida do Estado, observe que os senhores e senhoras que moram naquelas casinhas antigas sentam-se à porta de casa, com cerveja e jornal na mão – na hora do rush – para observar o ‘movimento’. Diferença básica de hoje para o passado? Hoje se observam motoboys sendo atropelados a cada esquina - a cada 15 minutos– e o trânsito antes rápido e perigoso, hoje não anda mais.
E assim, para os passageiros de ônibus, motoristas e motoboys da cidade os dias param. Pelo menos que aproveitem para descobrir uma São Paulo nova.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
cantando
Lembra daquele tempo
Quando não existia maldade entre nós
Risos, assuntos de vento
Pequenos poemas que foram perdidos momentos depois
Hoje sabemos do sofrimento
Tendo no rosto, no peito e nas mãos umas dor conhecida
Vivemos, estamos vivendo
Lutando pra justificar nossas vidas
Cantando
Um novo sentido, uma nova alegria
Se foi desespero hoje é sabedoria
Se foi fingimento hoje é sinceridade
Lutando
Que não há sentido de outra maneira
Uma vida não é brincadeira
E só desse jeito é a felicidade.
Composição: Paulinho da Viola
Quando não existia maldade entre nós
Risos, assuntos de vento
Pequenos poemas que foram perdidos momentos depois
Hoje sabemos do sofrimento
Tendo no rosto, no peito e nas mãos umas dor conhecida
Vivemos, estamos vivendo
Lutando pra justificar nossas vidas
Cantando
Um novo sentido, uma nova alegria
Se foi desespero hoje é sabedoria
Se foi fingimento hoje é sinceridade
Lutando
Que não há sentido de outra maneira
Uma vida não é brincadeira
E só desse jeito é a felicidade.
Composição: Paulinho da Viola
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
mundo
Meu blog não é o melhor do mundo, mas é meu!
Foram tantas leituras para constatar isso que estou desacreditada.
O blog não é uma beleza, mas acho que deve ter alguém que lê (frase de dona de blog carente)e reflete sobre alguma coisa que eu tenha escrito aqui.
Será?
Foram tantas leituras para constatar isso que estou desacreditada.
O blog não é uma beleza, mas acho que deve ter alguém que lê (frase de dona de blog carente)e reflete sobre alguma coisa que eu tenha escrito aqui.
Será?
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
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